sexta-feira, abril 29, 2005

Post para o Francisco

Este post é feito a pedido de um colega meu da faculdade que adora cavacas das Caldas e a quem fica a promessa de qualquer dia eu aparecer outra vez com um pacote delas.

Eis uma pequena peça de teatro baseada em factos verídicos. Todas as personagens são fictícias e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.


A Bruxa Malvada Aparece Duas Vezes

Acto 1


Cena: Num palácio. 5 personagens: a Princesa, a Kiki, a Dona da Couve, a Tipa das Caldas e o Atirador de Meias.

Princesa: Deixem-me ler uma história de um livro que me ofereceram pelos anos no ano passado.

Atirador de Meias: NNNNNIII!!!

Restantes: Sim! Queremos ouvir uma história! [Saltitando entre colchões e pacotes de sumos já bebidos]

Princesa: Então, é assim: era uma vez um rapaz que tinha muitos brinquedos e muitas vezes costumava brincar com amigas ou amigos ou mesmo sozinho, utilizando esses mesmos brinquedos. E esse rapaz era muito tagarela pois gostava muito de relatar o que sentia quando utilizava esses brinquedos. E normalmente, sentia-se muito agradado.

[Enquanto a Princesa ouviam a história, os restantes riam e regozijavam-se com o conto]

Atirador de Meias: NNNNNIIII!!!

Bruxa Malvada: [irrompendo violentamente e dizendo com a sua voz máscula] Olhem, é assim: ou se calam ou dou-vos uma sova. Vocês já 'tão a abusar há bué. [e sai com a mesma violência com que entrou]

[Silêncio constrangedor.]

Atirador de Meias: NNNNNIIIII!!!

[Subitamente, começam-se todos a rir-se como quem se ri na cara da Morte]

Tipa das Caldas: [imitando a voz da Bruxa Malvada] "Vocês já tão a abusar há bué." [risos]

Kiki: Passa mas é mais um sumo.

[E a diversão continua. Passado um tempo, sem a Dona da Couve se aperceber, o Atirador de Meias descalça-a e começa a brincar com a meia dela.]

Dona da Couve: Ei! A meia é minha!

[O Atirador de Meias atira a meia que voa pela janela fora.]

Dona da Couve: A minha meia...snifff...buuuuuuuuaaaaaahhhh!! [começa a chorar compulsivamente.]

Atirador de Meias: [arrependido] Pronto, toma a minha. [tira uma meia e dá à Dona da Couve.]

Dona da Couve: [alegrando-se] Eeeehh!

Atirador de Meias: Olhem, tenho pena mas tenho de me ir embora.

Restantes: Oooohhhh....

[Atirador de Meias sai. Todas se deitam. Luzes apagam.]

Kiki: Será que a bruxa malvada ainda anda aí?

Dona da Couve: Já sei! Vamos fazer barulho para confirmar isso!

Todas: Oh sim! Vem! Força! [risos. Depois todas fingem ressonar, espirrar ou ter violentos ataques de tosse, até que se ouve alguém a chegar. Todas se calam e fingem que estão a dormir.]

Bruxa Malvada: [aparece tal como da primeira vez e diz com o seu trejeito de homem.] Princesa, posso falar contigo?

Princesa: [grunhindo] Hã? O que foi?

Bruxa Malvada: Então falamos amanhã. [E sai fazendo cada vez mais barulho.]

[Continua num futuro próximo. Ou não.]

segunda-feira, abril 25, 2005

25 de Abril revisited

Portanto, resumindo, o 25 de Abril foi assim:

Por volta da meia-noite passa "Grândola Vila Morena", de José Afonso, na rádio. É a senha para um grupo de tipos da tropa, liderados por Salgueiro Maia, pegar numas quantas chaimites e dirigir-se a Lisboa para derrubar o governo. Já cientes da Revolução em curso, muitos, ignorando as ordens da rádio para ficar em casa, foram para a rua festejar e uma florista que passava começou a distribuir cravos vermelhos.

Como teria sido o 25 de Abril se não fossem militares a fazer a Revolução?

Por volta da meia-noite, passa "Mister Gay", de Alex, O Fabuloso, na rádio. É a senha para um grupo de tipos vestidos de camisas de folhos lilás, liderados por José Castelo Branco, pegar numas quantas bicicletas sem selim e dirigir-se a Lisboa para derrubar o governo. Já cientes da Revolução em curso, muitos, ignorando as ordens da rádio para se "manterem no armário", foram para a rua e assumiram-se e uma florista que passava começou a distribuir cravos vermelhos, ao que os revolucionários recusaram porque não dava com as camisas.

Vejamos outro exemplo:

Por volta da meia-noite, passa "Freak Freak", do Hélder, o Rei do Kuduro, na rádio. É a senha para um grupo de tipos da Cova da Moura pegar nuns quantos carros roubados e dirigir-se a Lisboa para derrubar o governo. Já cientes da Revolução em curso, toda a equipa da polícia de choque, ignorando as ordens da rádio para manterem a calma, começaram a atirar gás lacrimonégeo e uma florista que passava, assim que começou a distribuir cravos vermelhos, foi violentamente espancada e presa pela polícia por posse de droga.

E, finalmente, um exemplo mais assustador:

Por volta da meia-noite, passa "No Dia Em Que o Rei Fez Anos", de José Cid, na rádio. É a senha para um tipo de capachinho e óculos Raiban, liderado por ele mesmo, pegar num cavalo e dirigir-se a Lisboa, para derrubar o governo. Já cientes da Revolução, todos, ignorando as ordens na rádio para saírem de casa, ficaram em casa para se protegerem do fim do mundo e uma florista que passava começou a atirar-lhe cravos vermelhos para ver se ele desmaiava.

Porque fica sempre bem...

As Portas Que Abril Abriu

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais feliz
dos povos à beira-terra

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raíz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado

Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão

Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão

Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação

uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com a que a força da vida
seja maior do que a morte

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão

Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa

Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis

Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
- pode nascer um país
do ventre duma chaimite

Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
- é a força revolucionária!

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena

E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados "páras"
que não queriam o degredo
de um povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam

Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração

Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma razão
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão

Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer

E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis

Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza

E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.

Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.

Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo de mês de Junho.

Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.

Mas era olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.

E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.

A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que desbobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.

Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.

E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideias
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.

Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio faziam
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.

Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.

E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.

Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.

Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.

Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.

Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.

Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
- cumpriu-se a revolução.

Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabrões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.

Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.

E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.

Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.

E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
apenderam Portugal.

Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opões àqueles que o firam
consciência nacional.

Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.

Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.

Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.

Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
- Não havia estado novo
nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.

Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.

Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.

Em em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalhos crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
de um país que vai nascer.

Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.

No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!

É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.

Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua prórpia grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viesses ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.

Na frente de todos nós
povro soberano e total
e ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.

Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisa em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!


Lisboa, Julho-Agosto de 1975
José Carlos Ary dos Santos - "Obra poética"
Edições Avante

sexta-feira, abril 22, 2005

As escolhas de Joana

Pela primeira vez, estou sem inspiração para dissertar sobre um tema específico, portanto vou apenas comentar aquilo que se tem passado na sociedade contemporânea nos últimos tempos.

Estreou (e pelos vistos acabou), na segunda-feira passada, o novo programa de José Mourinho. Esta personalidade, que, além de treinador, escritor e pacifista, é agora também comentador televisivo. Resta-me perguntar: para quando o lançamento de um álbum?

Mas tenho de admitir que gostei do programa. Foi a conversa com um televisor mais interessante de sempre. E adorei o cenário atrás de José Mourinho: era tão real que ia jurar que vi o Peter Pan a voar lá atrás.

Mas um aspecto que verdadeiramente me encantou foi as SMS que se podiam enviar. Gostei principalmente de uma que dizia "Mourinho, és o novo Leonardo Da Vinci!". No entanto, é pena que tenha acabado. Gostava de ver o programa do Mourinho a ser um meio para combinar convívios da tropa ou para pedir músicas e mandar "Props!" para a Margem Sul.

E tal como não podia faltar, houve a secção das previsões onde Mourinho dava a sua opinião sobre quais seriam os resultados dos jogos e o que se passaria durante a próxima jornada. Foi o início de uma carreira como vidente. Maya e Professor Bambo, tenham medo.

Mas a minha parte favorita do programa foi quando o discurso do Mourinho ficou mais colorido ao ser substituído por uma mira técnica. Sem dúvida, o momento alto da noite.

Mas mudando de assunto.

"Habemus Papam" foi a frase que se ouviu na terça-feira passada no Vaticano. No conclave mais rápido da Igreja Católica, foi eleito Papa o Cardeal Joseph Ratzinger. Mas muitos acreditam que ele não será um bom Papa, pelo facto de ser muito conservador. Mas, aparentemente, essa divisão na Igreja Católica não era a maior preocupação da comunicação social portuguesa na altura, visto que passsaram uma hora a tentar descobrir se a tradução do nome adoptado por Ratzinger seria Bento ou Benedito.

Chegou a nova invenção da Telepizza, a Telepita. Soube de fontes seguras que nos próximos tempos vão ser lançadas a Telepata, a Telepeta, a Telepota e a Telep...ah, esperem. A última já existe. Para mais informações, contactem o Pinto da Costa.

Passamos ao cinema, com o filme "A Guerra dos Mundos" a estrear por cá em Junho. Existe uma grande expectativa em relação ao filme. Afinal, é um filme sobre o único acontecimento pior que um jogo de futebol entre o Caldas e o Torrense.

Novidades na "Quinta das Celebridades": Alexandra Fernandes ainda não percebeu que o público votou nela por não gostar dela e não para a proteger das nomeações dos outros concorrentes.

Elsa Raposo não conseguiu baixar-se para apanhar com os joelhos uma garrafa de água que estava no chão. Ela simplesmente não conseguia juntar os joelhos. Acho que não é preciso dizer mais nada.


Procura-se:


Burro Pavarotti, mamífero, peludo, teimoso e falante. Desapareceu já há uns tempos. Desconhece-se o paradeiro. Mas isso também já não interessa a ninguém visto que já foi substituído por uma avestruz e por uma meia falante e mal-cheirosa que insulta e urina sobre a Júlia Pinheiro e que dá pelo nome de Sr. Pires. A recompensa vai para quem conseguir chamar a atenção à Júlia Pinheiro que falar com uma avestruz e com uma peúga turca é mau sinal. Há gente internada por menos.


Tenho dito.

sexta-feira, abril 15, 2005

Perguntas pertinentes

. Porque é que George Bush continua a ser Presidente dos Estados Unidos?

. Porque é que o Pato Donald não tenta assassinar o Tio Patinhas para ficar com a herança?

. Qual será a musa inspiradora de Quim Barreiros?

. Como é que os Malucos do Riso estão no ar há 9 anos quando toda a gente diz que não vê e critica?

. O que aconteceu à carreira dos Delfins?

. Porque é que a Joana Cruz ainda aparece na televisão?

. Porque é que eu continuo a escrever neste blog?

Huum...

Fontes:
http://www.thomasaquinas.edu/assets/images/The%20Thinker.jpg

sexta-feira, abril 08, 2005

O que andamos a ensinar às criancinhas

A pedido de vários comentadores deste blog, já deseperados ao ponto de cometerem suicídio colectivo, volto à crítica social. Volto a cumprir o meu papel como uma boa cidadã preocupada com a situação actual e que participa activamente na construção de um mundo melhor. Ou não.

Quem não conhece músicas tradicionais portuguesas? Aquelas que se aprendem na escola primária, quando as nossas mentes estão ainda no seu estado mais puro e inocente. E depois crescemos e damo-nos conta que, afinal, as letras são muito mais profundas do que pensávamos. Vejamos alguns exemplos:

Ó Malhão, Malhão,
Que vid'é a tua? (x2)
Comer e beber, ó terrim tintin,
E passear na rua. (x2)


Quem inventou esta canção foi uma pessoa que nada tem para fazer a não ser meter-se na vida dos outros. Daí o seu interesse na vida do Malhão. No entanto, também não podemos esquecer que este leva uma vida pouco dignificante e saudável. Mas considerando que os pais lhe deram o nome de Malhão, é perfeitamente compreensível o tipo de vida que leva, nomeadamente o problema com a bebida.

Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei um pifarinho
Tiroliroliro, um pifarinho
Ai olé, ai olé, foi na loja do Mestre André.


A pessoa que foi à loja não comprou só um pifarinho. Também comprou um pianinho, um tamborzinho, um clarinete, entre muitos outros instrumentos musicais. Devia ser o Presidente da Junta de qualquer terriola a comprar instrumentos para a banda filarmónica tocar no dia da procissão. E uma coisa que sempre me fez espécie: o André tem mestrado em quê?

Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu (x2)
Encontrei o meu amor, ai Jesus que lá vou eu. (x2)

Ó desustruztruz, ó desastraztraz (x2)
Ora chega, chega, chega, ora arreda lá pr'a traz (x2)

Esta música é do mais porno que pode haver. Desde o "Ai Jesus que lá vou eu" passando por toda a segunda estrofe, tudo indica que a personagem que canta entregou-se por completo ao acto amoroso. E muito provavelmete no meio da Auto-estrada que vai para Viseu. Quem sabe se não terá sido mesmo na estação de serviço da Mealhada?

Lá em cima está o Tiroliroliro
Cá em baixo está o Tiroliroló (x2)
Juntaram-se os dois à esquina
A tocar a concertina e a dançar o solidó. (x2)


Porque está um em cima e outro em baixo? Não há elevador no prédio? E já agora, podiam-se ter juntado num sítio menos duvidoso. E para começarem a cantar e a dançar no meio da rua, ou são mendigos ou bêbados. Voltamos outra vez à relação entre os nomes estranhos e o alcoolismo. Além disso, quase que posso jurar que a concertina foi comprada na loja do Mestre André.

Atirei o pau ao gato-to
Mas o gato-to-to não morreu-eu-eu.
Dona Chica-ca assustou-se-se
Com o berro, com o berro que o gato deu:
Miau!


Seja quem for que inventou esta música, era gago. E cruel. Ninguém atira paus aos gatos com o intuito de os matar. Acho eu. Onde anda a Associação Protectora dos Animais quando é precisa? E a Dona Chica, o que lhe aconteceu realmente? Pressupondo que era uma pessoa idosa, um susto destes deve ter provocado um ataque cardíaco. Às tantas, está a pobrezinha ainda deitada no chão à espera que lhe chamem uma ambulância.

O mar enrola na areia
Ninguém sabe o que ele diz
Bate na areia e desmaia
Porque se sente feliz.


Através desta música ficamos a saber que o mar é uma personagem complexa. Tem um romance amoroso com a areia mas, ao mesmo tempo bate-lhe. E como em bastantes casos de violência doméstica, a areia não faz queixa às autoridades competentes. Além disso, o mar ainda é mudo. E epilético. 'Tadito...

Mas é bom continuarmos a ensinar estas músicas aos mais novos. Nada como ensinarmos os bons valores do alcoolismo, da violência e do consumismo exacerbado, entre muitos outros presentes em músicas que não foram aqui mencionadas. No final de contas, as crianças são o futuro, certo?