terça-feira, julho 26, 2005

A Odisseia de Josélito no País da Farfalhuda #7

Capítulo anterior aqui.


Capítulo VII

Foi então, no cenário de destruição desoladora do parque infantil de Sobral de Monte Agraço, enquanto jazia arrasado no chão frio e húmido, que Zé Tó viu surgir uma luz brilhante. "Outra vez o autocarro, não.", pensou. Mas não era um autocarro. Era o Nuno da Câmara Pereira que aparecia, com uma coroa na cabeça e um ceptro na mão. Estendeu a mão a Zé Tó. Não a do ceptro. A outra. Estendeu-a. A Zé Tó.

- Vem, meu amigo. Junta-te a mim nesta busca. – disse Nuno, enquanto pombas brancas voavam idilicamente à sua volta.

Com dificuldades, Zé Tó levantou-se, apoiando-se na sua única perna.

- Que busca é essa, Ó Iluminado? – perguntou Zé Tó, resignando-se à sua mortal condição.

Nuno olhou em direcção ao horizonte, enquanto anjinhos à sua volta tocavam harpa e cantavam a 'Avé Maria' de Schubert.

- Procuro o Santo Graal. – disse, a sua voz ecoando pelos vales e colinas de todo o mundo. Sinos tocavam ao longe. – Acompanha-me e serás recompensado pela tua bravura.

Como Zé Tó não tinha mais nada para fazer, foi com ele e juntos cavalgaram em direcção ao pôr-do-sol. Sim. Eles tinham cavalos.



Quanto ao concurso cujos prémios são colchões de praia e 'coisas que fazem bolas de sabão', o número sorteado é o 456.845.744. As estrelas são o 2 e o 5. Parabéns ao vencedor. Não se aceitam reclamações nem devoluções.

Próximo capítulo aqui.

sexta-feira, julho 22, 2005

P'ra cima, p'ra baixo, p'ra cima, p'ra baixo...

Porque é que todas as casas têm um interruptor que não faz absolutamente nada?

segunda-feira, julho 11, 2005

A Odisseia de Josélito no País da Farfalhuda #5

Capítulo anterior aqui.

Capítulo V

- Olha quem está aqui! Então, Cajó, tudo bem?

- Olha o Zé Tó! Cá se vai andando. Ao pé-coxinho. E como é que vai isso, pá?

- Vai muito difícil, muito difícil. Tempos de crise, o governo não ajuda, tudo uma cambada de otários, é o que é. Havia de lá 'tar eu. 'Inda agora perdi uma perna à custa dos transportes públicos. Aumenta a gasolina, dá nisto.

- Pois, realmente, isso parece feio, pá. Olha, sabes quem é que morreu?

- Quem?

- O Zé Piscinas.

- Ah foi? Ah coitado…Morreu de quê?

- Um acidente muita estranho, pá. Ouvi dizer que acabou com dois garfos espetados nos olhos.

- Olha, podia ter sido pior. Foi uma morte santa. Ele tinha filhos, não tinha? E a mulher dele era uma boazona do caraças. Como é que ela 'tá?

- 'Tá boa. Vamos casar assim que a certidão de óbito 'tiver pronta.

- A sério? Parabéns.

- Pois é, pá. Olha, pá, tenho de ir andando. Foi bom rever-te, pá. Temos de combinar um dia p'a irmos beber um café, pá.

- Pois é, tem que ser. Vá, tchau.

- Tchau.

E cada um pulou ao pé-coxinho para seu lado.

Próximo capítulo aqui.

Metaforicamente falando...

Garagem da Vizinha

Lá na rua onde eu moro
Conheci uma vizinha
Separada do marido
E está morando sozinha
Além dela ser bonita
É um poço de bondade
Vendo meu carro na chuva
ofereceu sua garagem

Ela disse: ninguém usa
desde que ele me deixou
Dentro da minha garagem
teias de aranha juntou
Põe teu carro aqui dentro
senão vai enferrujar
A garagem é usada
mas teu carro vai gostar

Ponho o carro
Tiro o carro
À hora que eu quiser
Que garage' apertadinha
Que doçura de mulher
Tiro cedo
Ponho à noite
E às vezes à tardinha
Estou até mudando o óleo
na garagem da vizinha (X2)

Só que meu possante carro
Tem um bonito atrelado
Que eu uso p'ra vende coco
E ganhar mais um trocado
Mas a garagem é pequena
O que é que eu faço agora
O meu carro fica dentro
Os cocos ficam de fora
A minha vizinha é boa
Da garagem vou cuidar
Na porta o mato cresceu
Eu dei um jeito de cortar
A bondade da vizinha
É coisa de outro mundo
Quando não uso a da frente
Uso a garagem do fundo.

Por: Rio Negro e Solimões
Adaptado por: Quim Barreiros

Todo o metaforismo presente neste exemplo da música popular portuguesa pode conduzir ao engano, levando as pessoas a acreditar numa ambiguidade de sentidos que, em última análise, não está lá. A palavra-chave, e sobre a qual devemos atentar, é 'cocos'. O que poderão ser metaforicamente os cocos? A resposta é óbvia. São simplesmente…cocos. A verdade é que a comercialização de cocos em Portugal se faz em atrelados, ficando aqui a crítica social à precaridade das condições de trabalho do comércio tradicional.

sábado, julho 09, 2005

A Odisseia de Josélito no País da Farfalhuda #3

Capítulo anterior aqui.

Capítulo III

Enquanto isso, o esquilo tentava recuperar do desgosto amoroso. No fundo, ele já desconfiava da sua transformação num bovídeo. No final de contas, era impossível que a sua mulher fosse todos os dias assistir às gravações do 'Você na TV'. Às onze da noite. Era uma história que já começava a cheirar mal. Ainda que a sua mulher fosse uma doninha.

E Zé Tó caminhava. E durante horas, caminhou. Mas, inesperadamente, no momento em que atravessava a estrada, uma luz brilhante surgiu à sua frente, tão brilhante que mais parecia que a Manuela Moura Guedes tinha usado Colgate Branque-Active e estava a sorrir para todo o mundo ver. Algo caiu a seus pés. Aos de Zé Tó. Não aos de Manuela. Ela não estava lá. Foi uma comparação. Esqueçam a Manuela. Estamos a falar do Zé Tó. E algo havia caído a seus pés. Algo que mudaria a sua vida para sempre. Era o 'Destak' do dia. E exactamente no momento em que Zé Tó se baixou para o apanhar, um autocarro do Grupo Barraqueiro apanhou-o a ele.

Próximo capítulo aqui.

sexta-feira, julho 08, 2005

A Odisseia de Josélito no País da Farfalhuda #1

[Música do filme "2001: A Odisseia no Espaço".]

Vai-se fazer história. Algo nunca antes visto no mundo da web. Em estreita colaboração com um dos autores deste
blog, será escrita a maior epopeia deste século, quiçá deste milénio.

Nota: De salientar que a história será publicada por capítulos, publicados alternadamente quer neste blog, quer no Primavera do Chumbo do Matraquilho. Para total compreensão da história (ou pelo menos tentativa de compreensão da história), é favor visitar os dois blogs.

Regularmente.


Capítulo I

Zé Tó corria. Corria desesperadamente. Mas corria como ninguém havia corrido antes. Nem Francis Obikwelu correria assim mesmo que isso significasse o aumento do PIB da Nigéria. Mas a verdade é que Zé Tó corria. Muito. Mesmo muito. E a correria era tanta que a própria vida de Zé Tó corria perigo. E naquele momento, Zé Tó viu toda a sua vida a correr-lhe à frente dos olhos. E continuava a correr. Passou pela Luísa que, cansada, subia a calçada e por um pacote de Doritos que estava no chão. Parou. Pegou no pacote e colocou-o na cabeça. Assim passaria despercebido na rua. Já não seria preciso correr mais. Mas algo aconteceu.

Próximo capítulo aqui.

terça-feira, julho 05, 2005

Sentido sem post #2

Manuel 'Tabaco', assim chamado devido à sua incontinência urinária, passeava alegremente pela rua, depois de ter feito uma jogatana de Trivial Pursuit com os seus amigos na tasca. Foi então que viu um pato à sua frente, que distribuia 'flyers' do Professor Mamadu e os colocava nos pára-brisas dos carros em andamento. Manuel aproximou-se, primeiro a medo, mas cedo se apercebeu que nada havia para ter medo. O pato parecia assustador, com três olhos e seis asas. Radioactividade. Mas foi quando o pato lhe distribuiu um dos seus papéis que 'Tabaco' finalmente percebeu. A tarte estava queimada.

Crises de identidade

"Já me confundi com o Júlio Iglésias."
José Alberto Reis in TvMais.

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A semelhança da EuroNews, aqui vai uma secção onde as imagens falam por si. Para mais informações vão ao site indicado em baixo.

Fontes:

sexta-feira, julho 01, 2005

O código da Disney

Nunca percebi o Pato Donald. É, simplesmente, uma personagem que me transcende. Por várias razões:

Ponto um: Porquê a farda de marinheiro?

Ponto dois: Ele nunca se casou com a Margarida. Muito possivelmente tem fobia de compromissos.

Ponto três: Apesar de ser azarado e de tudo de mau lhe acontecer, consegue ser o Super-Pato, que combate o mal e faz acrobacias.

Ponto quatro: Tem a cargo três sobrinhos menores de idade. No entanto, não usa calças...


Fontes:
http://www.magicalears.com/clipart/Classic%20Characters/Donald%20Duck/index.php?page=&num=1

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