Ok, é verdade que não escrevo há bastante tempo neste blog. E apesar de garantir a mim mesma que é falta de ideias, a verdade é que ando muito preguiçosa. Portanto, vou apenas divagar um bocado sobre aquilo que me apetecer. Não prometo que seja humorístico.
Sei que já passou um tempo e o assunto já esmoreceu um pouco, mas gostava de falar sobre o malfadado vídeo da aluna que agrediu a professora numa escola secundária do Porto.
Na minha opinião, aquilo é nada mais que uma falta de respeito por parte da aluna. Toda a gente sabe que adolescentes de quinze anos se estão completamente marimbando para as regras da sala de aula. Atender o telemóvel numa aula é actualmente um comportamento (infelizmente) normal dos alunos. Confiscar o telemóvel é o comportamento normal do professor. Levantar-se e praticamente agredir a professora, gritando-lhe, exigindo-lhe que lhe devolva o telemóvel é o comportamento normal de uma miúda mimada de três anos a quem as pessoas que a educaram nunca ensinaram o que é respeito. Mas ela não está sozinha na sala. Os colegas riem-se. Riem-se porque significa que estão a vencer autoridade e isso alimenta-lhes o ego rebelde, característico da adolescência. E até filmam. Mas isso é só porque vai ser buédafixe ver a “velha a cair”.
É importante também salientar que pouca gente conhece o verdadeiro contexto daquela situação. Para todos os efeitos, a professora também pode ter culpa no cartório. Aliás, até pode acontecer a professora nunca ter sabido impor autoridade sobre aquela turma – o que é grave em turmas daqueles anos (sei isto de experiência própria: também tive uma professora de Físico-Química no 8º ano que não tinha qualquer autoridade sobre nós – e nós, como normais adolescentes de 13 e 14 anos, bem que lhe fazíamos a vida negra). Mas esse facto não desculpa de maneira nenhuma as acções da aluna.
E em todos os canais de televisão, surgem os analistas e os psicólogos em filinha indiana, prontos a dar a sua intelectualizada opinião. A maioria parece culpar as chamadas novas tecnologias. Pois claro. E vá lá, que a violência nos videojogos ficou impune. Esse monstro que a imprensa muito gosta de alimentar nestes casos, desta vez, ficou a ver outro fenómeno arcar com as culpas.
A situação é grave. A violência nas escolas é um fenómeno recorrente. Todos temos de reflectir nele e pensar seriamente em medidas viáveis que possam solucionar o problema. Sim, porque a transferência da aluna para uma outra escola não é solução viável. É o mesmo que atirar o lixo para o quintal do vizinho, só porque dá trabalho atravessar a rua para o ir pôr no contentor.
Mas enfim (e sim, vou parar de escrever que entretanto isto já está a ficar compridinho e até chato), isto sou eu a falar do conforto do meu sofá (vá, cadeira da secretária). Que isto dos problemas dos outros, já dizia o outro, resolvem-se com uma palmadinha nas costas. Ainda que este, na minha opinião, se resolvesse com um par de tabefes (mas não pode ser da professora, porque senão depois vêm os paizinhos e é o “ai meu deus, que a professora agrediu a minha filha!”).
E a verdade é que um simples vídeo do YouTube, provavelmente transformado num daqueles “forwards” que as pessoas que nada têm para fazer mandam a todos os seus contactos, foi parar à caixa de correio electrónico de um qualquer funcionário da RTP/SIC/TVI. E de repente, a violência nas escolas surge como o tema do momento, como se nunca antes tivesse existido e fosse a maior novidade do mundo. Logo, se contactam os responsáveis que garantem que vão ser tomadas medidas, que vão ser instalados inquéritos, apuradas responsabilidades.
Mas entretanto o corpo da Maddie é encontrado ou o Cristiano Ronaldo encontra uma nova namorada e a história da miúda do Porto que gritou com a professora deixa de vender.
E fica tudo na mesma.
Nota de rodapé: E sabem o que me entristece mais? Mais do que a gravidade desta situação, mais do que a inaptidão do governo em resolver o problema da violência escolar (porque admitamos, ela sempre existirá), é que facilmente imagino, daqui a uns anos, um homem feito a virar-se para um seu amigo e dizer orgulhosamente: “Lembras-te daquele vídeo que andou nos telejornais há uns anos de uma aluna a agredir uma professora e a gritar para lhe dar o telemóvel? Fui eu que filmei.”