sábado, maio 07, 2011

A razão pela qual nunca ganharemos a Eurovisão ou Eurovisão = serious business

Nós não compreendemos o gosto musical europeu e os europeus não compreendem o nosso.

Tão simples quanto isso.


Passo a justificar:

Lembram-se da Eurovisão de 1981? Eu não, porque ainda sou novinha, mas se me pedirem para cantar a música, eu sei-a de cor. Canto-a é mal, mas sei-a de cor.

Carlos Paião - Play-back


Ah, os fatinhos, a coreografia, benditos 80's. Para nós, uma música giríssima, com uma excelente interpretação e até visualmente engraçada, nem que seja pela comicidade da coisa, e que até aos dias de hoje continua um sucesso.

Nesse ano, ficámos em 18º lugar. Em 20 participantes. Claramente não o nosso melhor resultado, mas também não o nosso pior - provavelmente nem entra no top 5 de piores resultados. Mas a verdade é que a ideia de mandar um tipo barbudo, com um casaco azul-vivo a cantar uma música electrónica falhou redondamente. Ó, se apenas tivéssemos sabido de antemão que não ia resultar.


Telex - Euro-vision, entrada belga, 1980

1980. Não 10 anos, nem mesmo 5 anos antes. No ano anterior, os belgas decidiram que um barbudo, com uma camisa azul-viva a cantar uma música electrónica seria uma excelente ideia. Não foi. Ficaram em último. Com apenas 14 pontos. 10 dos quais foram atribuídos por Portugal.

Portanto, damos pontos à música que o resto da Europa deixa ficar em último, e como gostamos tanto, no ano seguinte "'bora fazer uma coisa parecida", que fica igualmente no fim da tabela.

Nós não compreendemos o gosto musical europeu e os europeus não compreendem o nosso.

Tão simples quanto isso.


(Isto tudo para dizer àquelas pessoas que 3 meses depois, ainda estão em negação e a queixar-se que os Homens da Luta são uma escolha vergonhosa para ir à Eurovisão porque não sabem cantar e a musica é fraquinha e nem sequer à final passamos: já ninguém quer saber. Um, a Eurovisão não é levada à sério por 80% dos Europeus e a única razão porque continua a existir é porque esses 80% continuam a ver o programa ironicamente e a fazer 'drinking games' cada vez que algum dos concorrentes muda de fato durante a actuação ou há uma mudança de tom. Dois, nós já levámos músicas muito boas, já levámos músicas muito más - que para o resto da Europa poderiam ser boas -, já levámos baladas, já levámos coisas mexidas, já levámos gente com grandes vozes, já levámos grandes artistas e já levámos zés-ninguéns - não faz diferença. Se não ganhámos uma única vez em 40 anos, não é este ano, ou no próximo, ou ainda no próximo, que "é desta!". Aprendam a lidar com isso. Portanto, deixem-nos fazer a nossa festa que os outros fazem a deles.

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